Lutamos pela nomeação imediata de todos os candidatos aprovados e classificados no cadastro de reserva do concurso público do IBAMA, como forma de viabilizar o fortalecimento dos órgãos ambientais federais, em resposta à problemática ambiental brasileira e aos impactos aos seus recursos naturais.
O IBAMA é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, com personalidade jurídica de direito público e autonomia administrativa e financeira. Foi criado em 22 de fevereiro de 1989, com a promulgação da Lei nº 7.735. Ele é responsável por executar a política ambiental no país, incluindo fiscalização, controle, licenciamento, monitoramento e educação ambiental.
A crise climática e a crescente degradação ambiental no Brasil e no mundo exigem uma atuação estatal robusta e eficaz. Nesse cenário, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) emerge como pilar fundamental na proteção dos biomas, no combate a crimes ambientais e na garantia da sustentabilidade. Contudo, a capacidade de atuação do órgão está seriamente comprometida por um déficit alarmante de pessoal, tornando a nomeação de todos os aprovados no concurso público, inclusive os do cadastro de reserva, não apenas uma questão de direito dos candidatos, mas uma urgente necessidade estratégica para a nação.
Essa falta de servidores ativos se agrava a cada ano (aposentadorias, desligamentos e falta de reposição de pessoal) e traz graves consequências para o Instituto em relação à gestão dos processos, à fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e ao combate aos crimes ambientais, principalmente na Amazônia Legal. Tem-se como resultado o aumento da grilagem de terras públicas, que gera violência e extrema pobreza, e do desmatamento da Amazônia, que causa danos irreparáveis à biodiversidade e favorece o estabelecimento de grupos e facções criminosas que têm atuado amplamente na região.
As estatísticas mais recentes são contundentes: o IBAMA possui um déficit aproximado de 2.300 cargos vagos, distribuídos em funções cruciais. A maior carência recai sobre as carreiras de Analista Ambiental, com cerca de 1.498 vagas em aberto, e Analista Administrativo, com aproximadamente 703 vagas em aberto, de acordo com a NOTA TÉCNICA Nº 43/2024/SECAR/CODEP/CGGP/DIPLAN emitida pelo próprio IBAMA. O restante se distribui entre técnicos ambientais e administrativos.
É inegável que a saída de servidores por aposentadoria, sem a devida reposição, aliada à ausência de novos concursos públicos em quantidade suficiente, criou um gargalo que sufoca a capacidade operacional do Instituto. O concurso mais recente, com 460 vagas ofertadas para Analistas Administrativos e Ambientais, embora seja um passo na direção certa, é manifestamente insuficiente para preencher o abismo de mais de 2.300 cargos vagos, representando menos de um quarto do déficit atual.
A carência de pessoal no IBAMA não é um problema meramente burocrático; suas consequências são sentidas diretamente na floresta, nos rios e no ar que respiramos. A redução do efetivo implica em:
1. Redução da Fiscalização e Combate a Ilícitos Ambientais: Menos fiscais significam menos operações de combate ao desmatamento ilegal, à grilagem de terras, à mineração clandestina, à pesca predatória e ao tráfico de animais silvestres. Isso se reflete diretamente nos índices de crimes ambientais, que podem aumentar na ausência de uma vigilância e punição efetivas.
2. Comprometimento do Licenciamento Ambiental: Processos de licenciamento de grandes empreendimentos, essenciais para o desenvolvimento econômico, podem sofrer atrasos significativos ou serem conduzidos de forma menos rigorosa devido à sobrecarga de trabalho e à falta de especialistas, gerando riscos ambientais e insegurança jurídica.
3. Preparação e Capacitação: Os aprovados já demonstraram o conhecimento e a aptidão necessários para ingressar no serviço público, passando por um processo seletivo rigoroso. A nomeação do cadastro de reserva representa uma solução ágil e eficiente para o preenchimento imediato de vagas.